Notícia


Fonte: Revista Arquitetura & Construção - 17/08/2007

IDEAL DE LEVEZA.

Erguida numa plataforma a 40 cm do chão, esta casa de campo afasta a umidade e consegue um feito raro: ela parece flutuar.

A laje de concreto revestida de fulget bege(feito pela Vieira) serve de terraço. Esta face da construção mede 3,20 m de largura e revela o mix de materiais usados: aço , cimento, vidro, madeira e pedra.

Conforme pedido dos proprietários, a sala de estar ganhou a melhor vista – maximizada pelas esquadrias (da Montart) e pelo vidro fixo no alto, por onde entra luz se enxerga mais uma brecha da paisagem.

 

Uma antiga paixão falou alto quando o casal paulista pensou em trocar a cidade grande por um lugar mais tranqüilo: o golfe. Os dois são praticamente inveterados e andavam encantados com um condomínio perto da capital, repleto de campos para a pratica desse esporte. Já estavam em ponto da vida que dava para trabalhar em casa, com horários flexíveis... E sabiam exatamente como deveria ser a construção na medida dessa nova fase: compacta, simples de manter e com ampla área social. A escolha do profissional para a tarefa também foi certeira: elegeram a arquiteta paulista Claudia Haguiara para elaborar algo semelhante ao que fizera para sua própria família: “ Eles pediram uma espécie de filhote da minha moradia, que é de aço, branca e com cobertura metálica “,  diz Claudia. Com diretrizes claras desde o início, o projeto foi elaborado em seis meses – revelando as qualidades intrínsecas desse filho pródigo.

Internamente, texturas e cores aquecem o visual. Além de esquentar toda a sala de estar, a lareira (fundamental nesta região, fria) exibe o revestimento de pedra canjiquinha. O assoalho de peroba-mica (Madercon) escala a parede da sala de jantar e parece alongar o espaço. A solução dá profundidade ao ambiente e camufla a porta da cozinha.


Misto de escritório e quarto de hospedes, este ambiente recebe o sol filtrado pelas persianas e pelo ripado (acima da viga de aço). Na área social, o forro de madeira pintada acompanha o telhado, ampliando o espaço interno.

No banheiro do casal, pias e bancadas são de uma espécie de pedra sintética, feita de pó de quartzo e resina, que não risca nem mancha (Silestone branco). Opção mais econômica. “Sairia mais em conta usar o mármore branco especial, que pede cuidados do dia-a-dia ou pode manchar”, lembra a arquiteta.

 

Metal + alvenaria = montagem rápida
1. A fundação leva brocas (feitas na obra), unidas por uma espécie de mureta (acima do solo). Sobre essa base vem a laje de concreto armado, erguida a 40 cm.
4. Por fim, as folhas metálicas(duplas, com isolante térmico no miolo) e o forro sob o telhado (de isopor e madeira). Esquadrias de alumínio e vidro vedam a constução.

Área: 150 m²

Uma suíte e uma quarto para hóspedes/escritório eram suficientes para o casal. Esses ambientes recebem o sol matinal; os outros são aquecidos durante o dia. O acesso à sala acontece pela garagem descoberta, na lateral.


2. Acima desta plataforma fica a estrutura metálica, que se une aos pilares e paredes de alvenaria com função estrutural, também erguidos nesta etapa.

Projeto: Claudia Haguiara

Engenheiro: Jean Barbieri

Estrutura Metálica: H. Pelizzer

3. As paredes externa (de tijolos), internas (de blocos cerâmicos) e as lajes sobre os quadros vieram a seguir. Sobre elas, a armação de metal que apóia a cobertura metálica (H. Pelizzer).
 

 

O piso da cozinha ganhou acabamento homogêneo e atemporal, o granilite (de fundo bege e pedras brancas número 3). Nas paredes, pensava-se em laminado branco. Opção mais econômica. A idéia original deu lugar a um revestimento mais prosaico e barato, o azulejo branco comum (15 x 15 cm), com rejunte também branco.

A situação nada usual do terreno determinou as peculiaridades do projeto e da obra. O lote plano e sem muros admitia apenas uma casa pequena, com vista da mata e insolação favorável. Além disso, as restrições do condomínio (até 150 m² de área, um pavimento só) apontavam para uma construção térrea, envidraçada e com pé-direito amplo (4,25 m). A obra, iniciada em agosto de 2005, pressupunha a agilidade da armação metálica (perfis em forma de I encomendados na medida e soldados no local), mas atrasou devido aos rigorosos horários de trabalho no condomínio (nada de feriados, férias e fim de semana). A laje elevada – creditado como maior atrativo do refúgio – causou estranhamento aos pedreiros, que acertaram na sua execução. A montagem correu bem, embora uma serie de imprevistos (atrasos e interrupções) elevou a dois anos o prazo de conclusão do trabalho..

 

No projeto inicial, as portas dos quartos eram basculantes – e uma vez abertas formariam um teto para o terraço. Opção mais econômica. A arquiteta preferiu as do tipo camarão (de sucupira, também da Madecon) que abrem todo o vão. A mesma empresa se encarregou do ripado que circunda o alto da casa, acima do forro dos quartos: o ar circula por ali e refresca o interior.

 

Em toda a casa as esquadrias são de alumínio com pintura eletrostática e vidro laminado. Opção mais econômica. Portas de vidro temperado (sem caixilhos) permitiriam manter o visual limpo, mas não ofereceriam boa vedação contra o frio.

Reportagem: Cristina Bava e Joana L. Baracuhy

Fotos: Luis Gomes




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