Notícia
13/01/2010
Venda na distribuição surpreende
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O ano termina bem menos ruim para as empresas que atuam no ramo de compra e venda de aços planos no país e com perspectivas bastante promissoras para 2010. A drástica queda de 20% prevista nos primeiros meses vai se converter num recuo de 9%. "O mercado ficou bem acima das nossas expectativas, com ritmo forte de demanda a partir de julho e agosto", informa Carlos Loureiro, empresário e presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). "Acabamos de fechar o melhor novembro da história, com entregas de 316 mil toneladas, o que representou aumento de 42% sobre o mesmo mês em 2008, quando a crise se aprofundou", comenta Loureiro.
O Inda, que acabou de fechar os números de 2009 e de traçar as projeções para o próximo ano, engloba empresas que representam a grande parte do negócio de distribuição e centro de serviços de aços planos, material usado, por exemplo, na carroceria de automóveis e em geladeiras e até na construção navios. Esse tipo de aço é fabricado no Brasil pela Usiminas, por CSN e por ArcelorMittal. Na entidade estão distribuidores independentes e empresas coligadas das siderúrgicas. As associadas do Inda movimentam um terço desse tipo de aço consumido no país, que está estimado em 10 milhões de toneladas no ano.
Loureiro explica que a retomada da demanda se verificou em grande parte em bens de consumo (carros, geladeiras, fogões, máquinas de lavar e eletroeletrônicos), construção civil e máquinas agrícolas. "Por isso, registramos maior procura por chapas finas a frio e galvanizadas, enquanto chapa grossa teve retração". Ele observa, porém, que os setores de equipamentos industriais e de máquinas pesadas, grandes consumidores de chapas grossas e aços laminados de maior espessura (caso de tiras a quente) ainda continuam com demanda deprimida.
Mas, com o ritmo firme da demanda desde agosto e a expectativa de alta de 5% no PIB no próximo ano, os associados do Inda, em reunião na segunda-feira, projetaram aumento de 15% nas vendas em 2010 em relação a este ano. Caso isso se confirme, o setor baterá recorde histórico de vendas, com volume de 3,9 milhões de toneladas. "Historicamente, o consumo de aço cresce duas vezes o índice do PIB, mas em certos anos, de forte investimento na atividade econômica do país, como promete 2010, chega até três vezes", explica.
No ano passado, o comércio de aço plano pela rede de distribuição - que inclui empresas como Gerdau Comercial, Freffer, Soluções Usiminas e Prada/Inal -, as vendas atingiram 3,72 milhões de toneladas, um número também recorde, que foi puxado pelo impulso acelerado da demanda até outubro. Até as usinas de aços planos tiveram de importar aço para atender clientes antes da crise. Este ano, o total comercializado pelas distribuidoras vai fechar em 3,38 milhões de toneladas.
O ano se encerra com entrega de 246 mil toneladas em dezembro, um mês tradicionalmente muito fraco. Esse volume é 70% superior ao de um ano atrás, quando o setor siderúrgico foi ao fundo do poço, fechando seis altos-fornos e paralisando linhas de produção. Tanto novembro quanto dezembro de 2009, informa o dirigente, vão ter volumes superiores ao obtidos nos mesmos meses de 2007, que estavam alentados pelo aquecimento da economia no país e no mundo.
No quarto trimestre, houve uma recuperação de 36% sobre igual período no ano passado, atingindo vendas de 890 mil toneladas. "O impacto mais contundente da crise ocorreu naquele trimestre e no primeiro deste ano, quando a demanda por aço recuou até 50%".
A rede termina o ano também aliviada em um dos seus pontos sensíveis: estoques de material. O volume de aço nas distribuidoras baixou para 2,4 meses de vendas, abaixo do nível histórico de 2,6. No fim de novembro, haviam 765 mil toneladas nos seus armazéns. "No auge da crise, em dezembro, essa relação alcançou 6,5 meses", informou o dirigente do Inda. Em março, havia quase 1 milhão de toneladas e compradores muito cautelosas para fazer pedidos.
Segundo Loureiro, os associados do Inda têm recorrido pouco a importações, favorecidas pelo câmbio atual, mas alguns distribuidores não filiados têm trazido bastante material. Estima-se que o país vai importar 1,3 milhão de toneladas de aço plano em 2009.
Fonte: Ivo Ribeiro, de São Paulo
