Notícia
Fonte: Revista Construção - Guilherme Meirelles - 01/02/2008
Construindo a Seco
Após registrar recorde histórico de vendas em 2007, setor pretende crescer 20% este ano
Aos poucos, o sistema de construção a seco vai conquistando espaço no país. Prova desde avanço foi o desempenho do setor de chapas de gesso acartonado, que utiliza a tecnologia conhecida como drywall. Em 2007, o mercado brasileiro de construção consumiu cerca de 20 milhões de metros quadrados de placas, segundo dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Chapas para Drywall. A produção supera em 26% o volume de 2006 e projeta um crescimento de 20% para 2008, na opinião de Mario Castro, presidente da entidade, que reúne apensas três fabricantes no país.
Pouco difundida no Brasil, a tecnologia drywall consiste na fabricação de chapas por meio de um processo de laminas de cartão, onde uma é virada nas bordas longitudinais e colada sobre a outra. Segundo Mario Castro, o drywall PE largamente usado no Estados Unidos e na Europa como alternativa à alvenaria, principalmente nas vedações internas, como paredes, tetos e revestimentos de edifícios residenciais e comerciais. A principal vantagem é a instalação das chapas, que são fixadas em estruturas de perfis de aço galvanizado.
A facilidade na instalação esbarra no custo, o que faz com que sejam utilizadas principalmente em hotéis, shoppings centers, cinemas, escritórios e empreendimentos residenciais voltados para as classes A, B e C. Segundo Mario Castro, o custo é compensado pela praticidade e pela economia proporcionada em outras etapas da cadeia de construção. “As chapas geram apenas 5% de resíduos, deixam a obra mais limpa, são mais leves e propiciam economia de recursos no transporte e agilizam na parte final do acabamento, o que é interessante para as empresas que buscam agilidade na entrega de apartamentos”, enumera Mario Castro. Ele explica que 1 metro quadrado de parede de alvenaria pesa entre 150 quilos e 200 quilos enquanto que a mesma metragem de drywall pesa apenas 25 quilos.
Castro reconhece que ainda existem alguns preconceitos contra o drywall, principalmente com relação a supostos problemas de umidade e de resistência. “É um material resistente, que suporta o fogo e é usado inclusive em poços de elevadores”, afirma Castro. Para esclarecer a opinião pública, a associação lançou em São Paulo e no Rio de Janeiro uma cartilha dirigida a corretores de imóveis para que estes possam dirimir com precisão as dúvidas de potenciais clientes. “Você pode perfeitamente pendurar um quadro, desde que use as buchas especiais que são indicadas”, diz o executivo. Com relação ao isolamento acústico, diz, a questão é resolvida com colocação de lã de vidro entre as chapas.
Segundo dados da associação, o estado de São Paulo respondeu em 2007 por 48% do consumo, vindo em seguida dos demais estados da região Sudeste, com 20%, a região Sul com 15%, o Centro-Oeste com 10%, e o Nordeste com apenas 7%. O maior crescimento do período, entretanto, aconteceu na região Centro-Oeste, com 50%, em razão de novos empreendimentos comerciais. A entidade não divulga cifras ou valores a respeito da produção.
A tecnologia de drywall é relativamente recente no Brasil. O consumo brasileiro é de apenas 0,18 centímetros/ habitante, sendo que nos Estados Unidos o índice é de 11m². A ausência de empresas nacionais é explicada pelo alto custo de uma das matérias primas: o papel especial de forração, que é importado de quatro países.
